quarta-feira, 13 de abril de 2011

Lupino




Ouço o bater dos tambores, o crepitar do fogo selvagem
A dança ancestral em torno da fogueira, lembrando o passado
Comem antílopes distraídos
Teia e cadeia em fios cortados

O chocalho rítmico da serpente me deixa em transe
Posso ver os lobos caçando a gazela pela imensidão pálida
Em cordeiro passa o lupos farsante
Cantos dos faunos contando sátiras

No chão o fogo se expande
Curvam-se a minha majestade
Pulando obstáculos, provando o sangue...
Uivar dos ventos, trovão lupino
Vem com clarear a tempestade

Este sou eu, um caçador
mundo de lobos e serpentes
Viver sorvendo o suco da dor
Choros e gritos de amantes carentes

Onde é só caçar e comer
Animais selvagens impunes
Maçando toda a humanidade
Sem medição nem volumes

Mas eu posso mudar tudo
Pisotear a cabeça da serpente
a um novo mundo de crescimento e heróis
Tudo pode ser diferente

Revirando suas costelas e pensamento
Criança egoísta querendo atenção
Fantasma que geme um surdo tormento
Eclipse de sangue e perdição

Mas precisamos parar de chorar esta noite
E nossa voz tornar-se real
Peguem as lanças, caçaremos lobos hoje
Matando este predador de fluído carnal

Com lua ou sol tudo se vai
Mas isso mudará agora
Pois mesmo no amanhecer da lua que cai
Nova era rugirá sem demora

Eleva o sol ao lago fervido
Sucumbi ao caminho do altruísmo perdido
Seguindo estrada infinita
Sem inicio, parada ou sentido

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